TAC 2016 – Fase 2

Nosso amigo Portuga, que iria participar da fase 2 teve alguns projeto urgentes em Portugal e não pode participar, além do portuga já tínhamos um desfalque, a Nissan Frontier de Leandro, que havia batido o motor no deslocamento para Rota 1, agora éramos 7 veículos para fazer a trilha de Serra do Sol.

IMG-20160327-WA0029Cerca de Meio dia Marcão e Meia fecharam o comboio em direção a Boa Vista, em Manaus ainda estava eu e Cabaré, aguardando finalizar o conserto do Troller e partir para encontrar o grupo em Rorainópolis e depois seguir para Boa Vista e Venezuela. O grande problema de sair de Manaus para Boa Vista é o fechamento da BR 174 entre 18:00hs e 06:00hs, o eu impede a passagem de veículos que não sejam perecíveis ou ônibus.

Saímos de Manaus às 18:30hs, ou seja, como ainda estávamos a cerca de 200km da barreira dos índios não poderíamos passar, mas amizade é algo que se conquista com méritos e simplicidade, consegui com um amigo indigenista e coordenador da FUNAI uma liberação para passar a noite na reserva.

Paramos em Presidente Figueiredo, eu e Cabaré para jantarmos e às 22:0IMG-20160327-WA00440hs estávamos na barreira dos índios, porem já tinha um e.mail do meu amigo pedindo a liberação da passagem dos nossos carros, placas, condutores e cpfs confirmados e às 23:45hs estávamos chegando no hotel onde estava o grupo.

No dia seguinte parti cedo para providenciar combustível e dormida em Santa Elena, na Venezuela, afinal era feriado da Semana Santa e tudo ficava mais complicado. Tudo resolvido o grupo chegou ao fim do dia, veículos abastecidos e tudo pronto para partida rumo a Serra do Sol. Porem ao chegarmos ao hotel, após compra de provisões, percebemos que estava vazando fluido de freio do Troller de Cabaré. Evandro, nosso mecânico para expedição Serra do Sol verificou que precisaríamos aguardar o comercio abrir, que em Santa Elena significa aguardar até às 09:00hs.

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Após abertura do comercio conseguimos e peça, tudo montado e partimos finalmente para Gran Sabana. Como sempre na entrada do parque nacional venezuelano fizemos uma prece pedindo pela segurança do grupo e que tudo ocorresse bem e começamos nossa trilha aventura, que não demorou muito, na terceira mata que atravessamos a Ranger do Marcão quebrou a homocinética direita, cerca de 16:30hs da tarde e agora era procurar uma solução, visto que não poderíamos abandonar o carro e como já tínhamos um desfalque de dois veículos acomodar Marcão e Cesar seria uma tarefa quase impossível, além de sobrecarregar os demais veículos.

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A decisão que tomei foi de que tentaria no dia seguinte conseguir a peça em Boa Vista com nossos amigos e enviar para Santa Elena de Taxi, como não conseguimos contato via telefonia de satélite a decisão foi de que eu e Meia acompanharíamos Marcão e Cesar até Santa Elena e de lá retornaríamos, fim de jornada para Marcão e Cesar. Mas o Peruano Raul ofereceu uma vaga em seu carro para Marcão, que relutou em aceitar, mas terminou cedendo e assim Cesar partiria de volta para Manaus e deixaria no Hotel que sempre ficamos a Ranger de Marcão e pegaria um voo de volta para casa.

IMG-20160329-WA0014Partimos em direção a Santa Elena com a Ranger de 4×2, mas com bloqueio na traseira, Marcão foi tocando até a saída da trilha. No caminho encontramos três Toyoteiros de Caracas, duas Land Cruiser e uma FJ72, ajudamos a subida de uma ladeira, pois um dos veículos não subiu e conversamos um pouco, estavam indo pela primeira vez até o Salto K para conhecer. Encontrar-nos-íamos novamente.

Marcão ficou com Meia e Gustavo no carro de Meia, fui com Evandro deixar Cesar na fronteira,IMG-20160329-WA0016 comprar gelo e retornar ao acampamento, Meia me esperou na entrada da primeira mata, na Ladeira do Raul. Voltamos perto dás 13:00hs e com objetivo de dormir no Salto K, mas ainda tivemos um atraso, Baia (Joselito), deixou sua Hilux ligada e as portas travaram, como ninguém do grupo nasceu para ser ladrão de carro, foram longos minutos até conseguirmos abrir a Hilux, nesse meio tempo um grupo de Venezuelanos, que estavam voltando do Salto K, como era a primeira vez que ia a Serra do Sol em um feriado, nunca havia visto tantas pessoas nessa trilha, parou e tentou nos ajudar, mas finalmente conseguimos abrir a porta e partimos para o Salto K.

IMG-20160328-WA0007Trilha com muita paciência e técnica e fomos avançando até chegarmos ao pé do Salto K, impressionante como o volume de água que caia era muito pequeno, foi um ano terrível de seca e além de tudo muito seco os rios estavam secos, uma paisagem muito diferente do que estamos acostumados. Seguimos pela trilha, para os novatos muitas emoções no caminho, seja pela paisagem da região, seja pela trilha de pedras com muita técnica de Off Road.

Já era noite quando subimos para a parte superior da cachoeira, melhor local para acampar e uma das subidas estava muito complicada e perigosa. Subi com a Rachadinha (minha Hilux), e me posicionei para puxar os demais e foi assim, subindo um a um puxado, menos a Hilux do Raul, que dispões de X-crawler e bloqueios dianteiro e traseiro. Chegamos ao platô de acampamento e havia mais de 10 veículos e seus ocupantes acampando, incluindo aqueles três veículos que ajudamos logo cedo.

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Montamos nosso acampamento, alguns fizeram a janta oficial, miojo com feijoada enlatada! Como alguns estavam cansados foram se deitar, ficaram alguns conversando. Estávamos eu, Raul, Jesika, Marcão, Diulio, Flávio, André, Lulinha e mais alguns tomando uns vinhos, umas cervas geladas, uísque, rum, uns tira-gostos e muita conversa quando o pessoal da Venezuela, que havíamos ajudado logo cedo chegaram e apresentaram. Convidamos nos acompanhar na conversa e em pouco tempo já tinha uma turma grande de Venezuelanos, todos de Caracas, conversando e bebendo com nosso grupo.

Carlos e sua esposa Maria, providenciaram uma parrilhada para nossa mesa, devorada principalmente por Marcon e Diulio, e a conversa se estendeu pela madrugada, com direito a dança, conversa, músicas de vários gêneros e muita gargalhada. Foi realmente uma noite inesperada e realmente maravilhosa. Ali fiz novos amigos e em breve Caracas estará na nossa rota (risos…).

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A noite fez muito frio, sofremos, Eu, Cabaré e Caçola, os que dormem em redes, mas vou ser sincero, dormir em rede é muito bom! O dia amanheceu e parte do grupo de Venezuelanos começaram a partir, despedidas, banho de cachoeira, café da manhã e de repente chega Maria e Carlos com um café da manhã para alguns de nosso grupo. Maria fez várias Arepas, que estavam fantásticas e nos deram uma sobrevida de energia para enfrentar a trilha que se seguia em direção a Serra do Sol e demais trilhas da região que visitaríamos naquele dia. Despedimo-nos do grupo de Carlos e partimos para enfrentar nossos obstáculos.IMG-20160327-WA0069

Trilha travada, muitas pedras e chegamos à descida, que no retorno é subida, da Pedreira. Um trecho que andamos em cima de pedras, cuidado para não quebrar os veículos e fomos aos poucos avançando até chegar à Ladeira do Japonês. Na verdade os trechos possuem nomes de pessoas que protagonizaram alguma incidente ou acidente, hoje temos alguns nomes referentes ao nosso grupo como por exemplo: Subida do Bocca, Subida do Afranio, Subida do HC, Ladeira do Meia, Bosque do Raul, Bosque do Marcão, Ladeira do Raul, Subida do Leandro e por ai vai. Eu particularmente em todo trajeto dessa trilha não gosto da Ladeira do Japonês, íngreme, inclinada, curva e com pedras, ou seja, parafraseando meu querido amigo Lulinha, “tudo pra dá uma mierda!”. Mas todos superamos sem grandes atropelos e seguimos em frente, com a emoção única dessa trilha.

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Como sempre comento a Trilha de Serra do Sol é muito técnica e perigosa, a maioria das pessoas que enfrentam dizem que nunca mais voltam, recentemente um grupo de Off Road do NE esteve lá e segundo informações amaldiçoaram até a ultima geração de quem faz essa trilha (risos…).

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Chegamos ao pé da Serra do Sol subimos os carros para a famosa foto visualizando o vale e a Gran Sabana. Depois levei o grupo em outras trilhas novas em faces diferentes da Serra do Sol e ai partimos para nosso terceiro acampamento, que seria na tapera, mas havia um grupo de mais de 100 motos, quadri e Utvs, ou seja o local estava lotado! Então fui procurar outro local para acamparmos e decidi que faríamos em uma laje dentro do Rio Caroni, antes da Cachoeira da Revista. No caminho encontramos o Sr. Domênico de moto, este senhor é responsável pelas trilhas da região, foi um dos que abrir quase todas elas, inclusive me deu dica de novas trilhas que estão sendo abertas, algo a ser explorado em 2017. Mas voltando ao nosso acampamento no Rio Caroni, não poderia ter escolhido local melhor, afinal tínhamos um rio para nos banhar e um local belíssimo para montarmos nosso acampamento.

 

 

Foi uma noite gelada, de madrugada ligaram o ar-condicionado ao máximo, bati queixo até doer, Caçola foi dormir no Troller sentado, eu e Cabaré tremendo de frio, mas não arredamos na rede. O dia amanheceu perfeito, café da manhã organizado, banho, voo rasante de dois aviões sobre nosso acampamento, aviões que estavam levando mantimentos para o pessoal das motos e quadris. Tudo organizado e partimos para a Cachoeira

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da Revista, famosa foto com os veículos em sua beirada, mas acima de tudo um local de visual fantástico!

 

 

Na Cachoeira da Revista descemos ao pé para fotos com os veículos junto da queda d’água, permitido somente porque havia pouca água, pois normalmente estaria fundo para chegar até a queda d’água. Tomamos mais um banho, dessa vez embaixo da queda d´água e tiramos fotos belíssimas, mas ai temos de subir novamente e a subida, além de íngreme é escorregadia com pedras soltas e com batentes que podem virar o carro para trás. Quase ocorreu um acidente com um dos participantes, quando seu veiculo derrapou nas pedras e correu para o lado, quase uma tragédia, pois capotaria de uma altura de 10 metros, mas felizmente a pericia aliada a sorte fez com que conseguisse retornar de ré até o ponto de partida e após limpar toda a sujeira que piloto e co-piloto fizeram no interior do veículo fizeram uma nova tentativa e tudo deu certo. Cá entre nós, quem vem está procurando aventura de verdade!

 

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Depois do susto a foto oficial e seguimos para o Mirante do Monte Roraima, cerca de 14 quilômetros de trilhas até um local alto com uma belíssima visão da Serra do Sol e dos Montes ao seu redor, incluindo o Monte Roraima. Mais uma seção de fotos e mais 14 quilômetros de trilhas e começamos a retornar, mas não antes de andar cerca de 20 quilômetros na nova trilha do Caju, indicada pelo Domenico, até chegarmos a uma serra bem alta com uma visão fantástica do outro lado da Serra do Sol, lado Brasileiro. Valeu a esticada, visão fantástica e fotos belíssimas, segundo Cabaré dizia “Chefe, eu adooooro novas rotas!”, uma frase sarcástica de quem estava louco para chegar a um hotel (risos…), civilização!

 

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Tocamos de volta em um ritmo mais acelerado, objetivo outro acampamento no Salto K. Deslocamento mais acelerado, mas nem por isso com menos atenção ou segurança, mas o grupo novato já estava mais habituado com o trajeto o que facilita o retorno e no começo da noite estávamos novamente no Salto K, só que dessa vez a cachoeira era só nossa, não havia mais ninguém, feriado acabara. A noite montamos um jantar rápido, cardápio diferente, ao invés do miojo com feijoada, tivemos arroz do Gustavo com Charque e macarronada da Jesika, mas no café da manha estava de volta o miojo com feijoada! Um verdadeiro Clássico. Durante a noite garoou um pouco, como o céu estava fechado não fez frio, mas uma temperatura muito agradável que apenas dois lençóis davam conta.

 

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Hora de partir, objetivo Boa Vista, afinal era domingo e Santa Elena estava fechada, nada de compras e nem mesmo posto de combustível aberto. Começamos nosso retorno do Salto K para fora do parque Nacional Venezuelano com muita empolgação, mudando alguns trechos no retorno para mais emoções e pouca conversa no rádio, pessoal queria mesmo era Hotel. Mas mesmo com a pressa de retornar o cuidado era constante, afinal não queríamos nenhum problema justamente no final da trilha, como acontecera ano passado com o carro do Raul que bateu em um tronco e destruiu a suspensão e abriu a roda.

Em quatro horas estávamos no portão de ferro do parque, todos satisfeitos com o retorno tranquilo e aproveitei para dar a Raul um troféu, afinal em sua quarta TAC essa era a primeira vez que terminara sem destruir um carro e com isso conseguiu cumprir todo o trajeto de 2016, foi uma alegria contagiante, estava assim finalizada a TAC 2016 e agora começamos o retorno para nossas casas com ajuda divina e muita energia para gastar durante o ano.

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