DESLOCAMENTO TAC 2017

 

20170412_081956Mais um ano de aventuras pela região Amazônica começa com o deslocamento entre Humaitá e Manaus pela famosa BR 319, uma estrada com muitas histórias. Com três dias sem chuvas em metade do caminho o deslocamento seria relativamente rápido, tanto que nos damos ao luxo de parar para almoçar na Vila da Realidade, cerca de 100km depois de Humaitá.

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Antes de chegar à Realidade havia uma carreta carregada de madeira atolada a dois dias com o motorista, sua esposa e uma criancinha e nosso agrupo puxou usando três carros. Como meu carro entrou traçado em uma parte da estrada asfaltada ocorreu algum problema com minha tração dianteira, travando o diferencial dianteiro e a partir desse momento estava com tração só na traseira.

Saímos da Realidade às 14:00hs e seguimos em direção ao primeiro acampamento, não iriamos rodar anoite, porém eu estava estressado com o problema da tração e decidi me adiantar para Manaus e tentar resolver o problema. Chamei Marcão para me acompanhar, ambos conhecemos bem essa estrada e queria rodar direto. Informei ao grupo que iria seguir em frente, dois carros têm um ritmo bem mais rápido do que um comboio, e Leandro e Matheus ficaram responsáveis por guiar o grupo.

img-20170416-wa0029Marcão disse que só iria se eu parasse para dormir um pouco, concordei com os dedos cruzados. Rsrsrsrs! Seguimos em frente e ainda conversamos com o grupo por bom tempo, enquanto nossos rádios estavam em alcance. O sol estava forte e a estrada seca, tranquilamente fácil de andar com um veículo 4×4 original, mas bastaria uma chuva de algumas horas e tudo viraria um pesadelo ou um sonho. Até a entrada de Manicoré o trajeto estava tranquilo em termos de atoleiros, poucos complicados.

Paramos na Boca da Onça, na birosca montada por uma família de gaúchos e tomamos um café para sair um pouco do carro e nos informaram que até a entrada de Manicoré estava relativamente tranquilo, mas depois os atoleiros começavam a piorar e percebemos que não cruzamos com nenhum veículo vindo no sentido contrario, o que significa problemas sérios à frente.

img-20170413-wa0069Marcão pediu para pararmos depois da entrada de Manicoré, cerca de 20km, onde existe uma pequena pousada no meio do nada. Era bem tarde quando passamos e mesmo com os atoleiros grandes e andando de 4×2 sugeri ao Marcão que seguíssemos em frente e tiraríamos um cochilo no Igapó, cerca de 60km. Continuamos, atoleiros e mais atoleiros até chegar no famoso Piscinão da 319, que agora estava aterrado com barro e passou a ser um atoleiro gigante, colocamos a cinta nas duas Hilux e entramos acelerado, nas laterais valas que engolem um trator, se cair o carro vira dentro da água e se for de cabeça pra baixo nem tem como sair, essa foi a vantagem dos carros estarem amarrados, pois quando o carro de Marcão corria para a vala eu freava e puxava de volta para o rumo e quando o meu ia o dele me puxava de volta. Depois de passar encontramos os tratoristas acampados perguntando o que dois doidos estavam fazendo ali de madrugada, foi uma grande travessia. Seguimos em frente até um perigoso atoleiro, pois nas laterais haviam lagos e uma altura de 5 metros até chegar na superfície da água, fora profundidade, que não se tinha ideia. Se o carro escorregar já era. Marcão foi algumas vezes pelo meio e atolou, puxei, até decidir ir pela direita em velocidade, porém o facão de saída era muito alto e ele enganchou. Marcão atolado a cerca de 100mts e eu com apenas tração na traseira, e ele perguntou “e agora? Tu tá satisfeito por ter rodado a madrugada?” com tom de revolta. Rsrsrsrs. Olhei pro relógio, eram 04:30 da manhã e disse “relaxa duas horas, quando o Sol nascer eu vejo o que faço.” Ele desligou o rádio puto e foi cochilar. Com 250kg dormir dentro da Rachadinha não era uma opção valida, fiquei rodando ao lado do carro, hora sentava, hora andava e pesando no comboio que ficou para trás, na pauleira que eles iriam pegar e que a farra do acampamento devia ter sido boa, com bacalhoada e vinho. Paciência!

Aqui o Sol sai tarde, dia nublado e chuvoso, preguiça do Sol aparecer e assim que consegui visualizar o atoleiro liguei o carro, buzinei, Marcão acordou. Meti o carro pela esquerda, parte mais inclinada e sem facão pra segurar o carro caso escorregasse e ai era caixão e vela preta. Entrei forte, aliviei, carro rodou de traseira, só tinha tração atrás, desliguei o bloqueio, corrigi, liguei e acelerei forte. Marcão disse que nunca me viu acelerar tanto a Rachadinha, consegui, estava do outro lado, fiz a volta e fui buscar Marcão, que já estava enfiado na lama me trazendo o cabo do guincho. Em 15 minutos estávamos livre e seguindo para Manaus. Como será que foi a farra da turma? Tinha apostado com Marcão que eles dormiriam na Antena antes dos Catarinas, depois soube que havia acertado, nada como conhecer bem uma estrada e como se comporta um comboio em deslocamento.

20170413_070943Logo depois encontramos uma Amarok da TIM com um Engenheiro e seu ajudante, que estavam tentando seguir até uma torre da Embratel onde a TIM possui um equipamento. Estavam atolado desde o dia anterior, Marcão puxou a Amarok e sugerimos que voltassem, inclusive para passar os demais atoleiros, já que chegaram até ali próximo puxados por um trator. Seguimos juntos para o Igapó. Chegamos a um grande atoleiro, cerca de 500mts de lama, entrei forte e fui varar do outro lado, Marcão amarrou a Amarok atrás da Hilux e enfiou o pé até vararem do outro lado, foi uma diversão! Quando estávamos chegando no Igapó encontrei o amigo Mirim de BH que estava num Troller gigante com pneus 38” e estava voltando sozinho pela 319, após uma conversa breve, abraços e despedida seguimos para tomar café da Manhã no Igapó. Estava finalizada nossa aventura, minha e de Marcão.

img-20170415-wa0022Já nosso grupo que vinha atrás ainda tinham muitas aventuras pela frente. Dormiram em uma torre, onde degustaram bacalhau com arroz especial, direto do chef Zé Grande, ou Tatá. No dia seguinte mais atoleiros até pernoitarem na Mariazinha, pousada entre a entrada de Manicoré e Igapó, descansando para outro dia de muita lama e alguma atoladas belíssimas até chegarem a Manaus na sexta-feira a noite. Agora é partir na balsa para Parintins e continuar nossa aventura.

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