Fase 3 Retorno.

20180328_161958-copyA Fase 3 na verdade é o retorno para casa dos que vieram rodando e se juntou ao grupo Leandro e Fileno (Nhonho e Fifi), com uma Triton, como estavam viajando a trabalho e não puderam vir na Fase 1 e 2, mas pelo menos garantiram estar no retorno e aproveitar a aventura. Na fase 3 nosso objetivo era pegar a balsa para Juruti e fazer a Transjuruti até Itaituba e finalizar a TAC e cada um pegaria o rumo de casa, só que tivemos problemas com a balsa, demoraria a sair de Manaus, o que acarretaria maiores custos de diária e tempo ocioso, fizemos uma reunião e decidimos retornar pela 319 e ainda dá uma curtida na estrada de Manicoré, Ramal da Democracia, pois estava cheio de grande atoleiros e assim seguimos nosso novo roteiro, lembrando que essas coisas acontecem, mudança de roteiros devido a algum empecilho e que faz parte da expedição.

img-20180331-wa0016Partimos de Manaus no Ferre das 05:00hs e de cara arrumamos mais um pra ajudar, uma prancha que estava levando um veículo para Porto Velho e que nunca havia andando naquela estrada no inverno. Aconselhei a retornar, mas o Xará, dono da prancha disse que precisava fazer aquele trabalho e pediu para que ajudássemos a ele e seu zequinha Arnaldo a chegarem em Humaitá. Como sempre ajudamos. Ele partiu na frente e caso se enroscasse nós o puxaríamos. Nosso grupo agora era formado por: Eu, Marcão, Biju, Leandro e Raul. Baiano e Júlio estavam apressados no retorno e seguiram algumas horas à nossa frente e não iriam entrar para o ramal de Democracia.

20180328_162619A 319 estava muito mudada desde 10 dias antes, quando passamos por lá, o DNIT havia arrumado vários atoleiros e como fizera Sol estava tudo mais fácil, sorte da prancha e nossa também, adiantou bem nossa andanda até o Ramal. Pouco antes do Ramal encontrei um amiga que havia participado da TAC 2010, Telma Cristina de BSB e falou que outro amigo, o Mirim, estava pro lado do ramal. Despedimo-nos e seguimos pro ramal, ao chegar à entrada estavam quatro caminhões do Exercito parados, aguardando peças e reforço, já que não conseguiram varar o ramal devido os grandes atoleiros, o que nos deixou mais empolgados, mas Raul desistiu, disse que o carro estava todo revisado e que ainda iria até Lima – Peru e dissemos para ele seguir até a Toca da Onça, uma currutela com estrutura para comida e dormida e que nos encontraríamos com ele no dia seguinte. Entramos no Ramal e nos primeiros 500 mts Biju já ficou atolado, Leandro retornou para resgatar e mostrar que além de bom zeca era piloto, já que vieram nos anos anteriores como zeca de Fifi e este ano inverteram as posições.

20180328_162306-copyDesatolado Biju e seguimos nos divertindo pelos atoladores do Ramal, nosso objetivo não era chegar até Democracia, até porque havíamos combinado com Raul de nos encontrar no dia seguinte, mas fomos até os trechos mais pesados do ramal testando as maquinas e pilotos até começarmos a retornar e dar uma parada rápida para um banho e tirar a lama do corpo e claro assar uma peça de carne e comer uns queijos. Saímos do Ramal quase meia noite, após resgatarmos o carro de Macon, que havia caído em uma vala, fazer trilha a noite é muito show e tudo fica mais complicado. Estávamos exaustos e rodamos até a primeira torre onde havia outra equipe da Embratel e pedimos para montar acampamento, nada de farra, chovia muito, todos nas barracas e uma noite de muita chuva, o que deixaria o dia seguinte divertido.

img-20180329-wa0042-copySeis da manhã, menos de 4 horas de cochilo e começamos a nos organizar para partir, café da manhã só Biju, se não comer ele enlouquece, partimos e poucos quilômetros depois nosso amigo da prancha estava atolado, passara a noite ali, dentro do VW cheio de lama e torcendo para alguém chegar. Depois que começou a chover tudo complicou pra ele. Resgate feito e agora tínhamos mais um no comboio, a prancha, que em várias ocasiões foi puxada por longos atoleiros e assim seguimos até chegar à toca da onça, comer algo e saber que Raul seguira viagem logo pela manhã, mas estava despreocupado, qualquer problema chegaríamos nele. Comidos e seguimos com a prancha na nossa frente, vez outra puxando e assim foi até a Realidade, onde chegamos mais de 19:00hs e a prancha ficou para seguir no dia seguinte e nós tiramos direto para Humaitá, queríamos comer um peixe frito e tomar uma cerveja gelada, dia trabalhoso com a prancha, mas o dever cumprido de ajudar sempre.

20180329_093408-copyDia seguinte em Humaitá era de lavar os carros, havia lama até dentro do motor…rsrsrs. Comprar o que fosse necessário, regular freio e claro mais um churrasco, com a turma da prancha, que chegou pela manhã e no dia seguinte, Eu, Biju e Leandro pegarmos a 230 em direção as nossas casas. Marcon retornou por Porto Velho, tinha compromisso em Rondonópolis e Raul seguiu para fronteira com o Peru.

20180401_143926-copySaímos no final da manhã para a balsa e atravessar o Madeira em direção a Apuí, estrada no começo estava boa, deu pra rodar bem, mas depois foi ficando complicada com muitos buracos, reduzindo nosso tempo, tínhamos ainda a balsa do Mata-mata para atravessar e poder chegar em Apuí. Com direito a Rachadinha perder um pneu na saída de uma ponte e puxar uma EcoSport por 35km entre buracos, pontes improvisadas e atoleiros a noite e finalmente chegar na balsa do Mata-Mata no ultimo segundo antes de sair a ultima balsa e depois mais 100km de estrada até Apuí e descansar um pouco para no dia seguinte seguir para Jacareacanga, cerca de 270km. Nesse dia foram 240km em 10 horas.

20180329_093513-copyEra domingo de Pascoa, estrada esburacada e a média baixa, trechos andando em primeira marcha, a baixada antes de Jacaré foi um tormento, aliás, sempre é um tormento e no final foram 270km em 14 horas, chegando a Jacaré cansados e com o almoço de Pascoa sendo uma pizza fria do dia anterior e uma caixa de chocolate da Lacta. Viva a Aventura! Saímos de Jacaré logo cedo, aliás, não tão cedo, já era umas 08:00hs, agora pegar o trecho que mais gosto da Transamazônica, os tobogãs, cerca de 110km de subidas e descidas longas e íngremes e mais uns 100 km de trechos variando entre subidas mais leves e trechos de velocidade bastante escorregadios. Para quem nunca fez é um pouco assustador, não saber se vem veículo do outro lado, se bem que até determinada hora é raro, pois não deu tempo de chegarem os veículos que vem de Itaituba e no final da manhã que fica mais perigoso, mas a experiência no local ajuda e como eu sou o puxador, basta os demais se afastarem um pouco e seguirem os orientações pelo rádio, o que não deixa de ter riscos, principalmente nos trechos escorregadios, onde Biju rodou e quase caia em uma ribanceira, susto tomado, atenção redobrada e claro, parada para limpar o traseiro. Mas realmente esse trecho é muito bonito e gostoso de acelerar.

img-20180329-wa0041-copyParada no 150 para almoçar e abastecer o carro. Esta parada é nova, fizeram a cerca de 6 meses, tem uma pista de pouso, um posto de combustível e um restaurante, tudo para dar apoio aos garimpos da região, que são muitos nesses trecho. Almoçados e seguimos para Itaituba, chegando no final do dia, foram 410km em 10 horas, trecho bonito e prazeroso de andar, alguns pedaços esburacados, mas bem menos que nos dias anteriores. Estava finalizada a TAC 2018 em Itaituba, no dia seguinte Leandro e Fileno seguiriam pela 163 (Cuiabá – Santarém), em direção a São Paulo e Eu e Biju seguiríamos para o Nordeste. O destaque desse trajeto, além de muitos buracos, foram também os resgates que fizemos muitos veículos atolados, caminhões e ônibus, ou seja, a TAC que mais se resgatou parte porque choveu muito, mas mantiveram as estradas abertas e com isso muitos presos pelo caminho nas armadilhas da lama.

img-20180315-wa0120-copia-copyA TAC 2018 foi bem atípica, primeiro pela interação do grupo de um modo geral, segundo pela relativa desaceleração em relação aos outros anos, onde sempre priorizamos correr e deixar de lado o tempo de descanso e interação. Foi uma experiência diferente e dos que participaram dessa TAC e estiveram presentes em outras, foi unanime em dizer que esta formatação é bem melhor, sendo assim planejar para 2019 ter mais dessa linha e sempre priorizar o grupo.

COMPARTILHAR: