TAC 2018 – GRAN SABANA

 

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Em Manaus revisamos os veículos, compramos mantimentos e nos preparamos para seguir em direção à belíssima trilha da Gran Sabana Venezuelana.

img-20180325-wa0055-copyComo a Venezuela passa por uma crise econômica profunda, existia a possibilidade de não termos combustível para comprar e nem alimentos, bebidas, etc., por isso saímos abastecidos de Manaus com os suprimentos e em Boa Vista, onde pernoitamos para que no dia seguinte saíssemos cedo diretamente para acampar na região da Divina Pastora, na reserva da Gran Sabana, saímos com os veículos abastecidos e com combustível extra para poder ir e voltar.

20180322_134331-copyEm relação à crise na Venezuela, para quem conhece a beleza que é aquele país e que há alguns anos, antes do governo de esquerda que está no poder, sabe bem como era prospera e como vivia bem a população, hoje vemos nas ruas a parque de Boa Vista o caos instalado pelos que fogem da miséria que assola a Venezuela, pessoas perambulando, pedindo ajuda, alimentos, emprego. Na BR que vai de Boa Vista ate Santa Helena na Venezuela, por onde entram os refugiados, é triste ver famílias andando 200km a pé em busca de esperança, em uma estrada árida e com calor sufocante de mais de 40 graus e um sol que queima a pele dentro dos nossos veículos com película e ar-condicionado, imagine quem está fazendo essa grande caminhada. O Exercito montou duas barreiras ao longo da rodovia, além da montada após o posto da Policia Federal na divisa dos países, uma forma de tentar conter essa triste invasão.

dsc_0077-copySaímos de Boa Vista um pouco atrasados, o carro de Biju (Xterra), precisou fazer uma pequena revisão de urgência, mas a viagem foi rápida e tranquila até a Venezuela, onde atravessamos a fronteira, passamos por Santa Helena e seguimos direto para a Divina Pastora onde fizemos nossas preces e adentramos em uma grande aventura offroad. No começo um susto, ao acionar a 4×4 do meu carro (Rachadinha) a luz no painel não acendeu preocupação de que algo não estivesse permitindo engatar a tração a dianteira, mas Evandro, nosso mecânico oficial e pau pra toda obra, observou com o teste de X que a tração estava funcionando, problema de lâmpada queimada, sendo assim, seguimos em frente com o objetivo de acampar na Mata do Marcão, onde em 2016 quebrou a trizeta da sua ex-Ranger e nessa trilha cada acontecimento faz com que o local receba o nome de quem protagonizou o acontecido.

dsc_0161-copyPara os marinheiros de primeira viagem a trilha foi bastante tensa, com a subida do Raul como primeiro obstáculo, muitos nunca enfrentaram ângulos de subidas e inclinações tão acentuados, e os veículos de Biju (Xterra) e Júlio (Hilux), não possuíam bloqueio de diferencial 100%, apenas LSD (bloqueio parcial de até 70% do sistema de diferencial), o que os deixava sujeitos a maiores riscos, mas de qualquer forma o meu bloqueio deixou de funcionar, então como puxador e guia do comboio iria procurar a melhor passagem para veículos sem bloqueio e no meu caso nem parcial, o que tornaria a brincadeira mais divertida…rsrsrs.

dsc_0168-copyPassados os primeiros obstáculos começamos a subir as montanhas, deslumbre dos novatos nessa trilha, uma paisagem fantástica para onde se olhasse. Seguimos a trilha e chegamos às matas travadas, passagens apertadas e lentas, onde o perigo era rasgar algum pneu em um tronco ou toco de arvore, ou pior como aconteceu com Raul em 2015, bater e destruí a caixa de direção e suspensão, mas graças à paciência de todos e por escutarem todas as dicas, as passagens das matas foram tranquilas e chegamos ao Bosque do Marcão ou Mata do Marcão, onde montamos nosso primeiro acampamento. Ainda era cedo quando paramos, como disse antes, este ano a prioridade é a interação do grupo, na verdade baseado em alguns problemas que tivemos no ano passado e por isso essa busca pela convivência maior do grupo, e nada melhor do que montar um acampamento cedo e começar a assar carne, aliás, foram muitos quilos de carnes, cervejas, vinhos e cachaças.

img-20180325-wa0072-copyNoite de festa, mas como começamos cedo, antes das onze da noite todos dormiam, uns nas barracas de chão, outros de teto e outros em redes, mas todos ao som da pequena cachoeira perto, onde tínhamos um ótimo lugar para banho. Café da manhã caprichados pela mulherada, eram três mulheres no grupo, reforçado pelo cuscuz de Baiano e mais alguns miojos de Biju. Acampamento desmontado, tudo limpo, lixo recolhido, e não foi pouco, e partimos para o Salto K, nosso objetivo do dia para fotos e seguir em direção a Serra do Sol. Seguimos pela trilha com mais emoções para os novatos, principalmente quando fomos descer a Ladeira dos Índios, já que a preocupação nem era a descida, embora íngreme, mas que na volta teríamos de subir toda aquela ladeira novamente…rsrsrsrs.

img-20180325-wa0085-copyApós o pedágio dos índios seguimos em direção ao Salto K até chegar à Pedreira, local onde descemos um pequeno morro em cima de pedras soltas, verdadeiro rock crawler, com o agravante de que assim como descemos, teríamos de subir na volta. Na descida alguns amassados por baixo e laterais, mas nada que uma marreta ou martelinho de ouro não resolvam. Mais alguns quilômetros e avistamos o Salto K de perto, uma descida íngreme e com ângulo acima de 50 graus assustou Biju, que disse que não desceria e aguardaria o retorno do grupo, só que lembrei a ele que só voltaríamos dois dias depois, ele criou coragem e desceu também. No Salto K havia um grupo de Venezuelanos acampando, na parte inferior da cachoeira e resolvi deixar para fazer as fotos oficiais no retorno, para não atrapalhar o acampamento e seguimos em frente, a ladeira de acesso à parte superior da cachoeira é bem complicada e precisei puxar os dois carros sem bloqueio.

dsc_0214-copyO objetivo era seguir em frente, porém a trilha estava muito lenta, como choveu bastante estes ano a trilha além de esburacada ficou com muitas pedras o que reduziu bastante nossa velocidade de deslocamento, sendo assim pela hora e como só chegaríamos a outro local com cachoeira para acampar a noite, resolvi acampar na parte superior do Salto K, aliás, melhor lugar não existe. Novamente acampamento montando, era quatro da tarde, pessoal tomando banho nas piscinas da parte alta da cachoeira e logo-logo fogo aceso, carne, comes e bebes e estávamos na nossa segunda noite de acampamento, após percorrer apenas 20km na trilha travada.

img-20180325-wa0088-copyA noite foi divertida, casais dançando, bebida, comida e churrasqueira pilotada pelo Baiano Dumbo, ninguém imaginava que um baiano pudesse ser um bom churrasqueiro…rsrsrs. E novamente antes da meia-noite todos dormindo, só que não tão bem, a noite esfriou bastante, nem quem dormia nas barracas escaparam do frio, e é porque não estava ventando, somente os que levaram cobertores grossos conseguiram passar a noite bem, demais, sofreram com o frio, câimbras e até dor de cabeça. Na rede meu sofrimento foi grande, mesmo com cobertor e usando outra rede como coberta tive que pegar um colchão inflável e sem inflar usei para cobrir o corpo, consegui alguns bons cochilos, só interrompidos pelas câimbras. Vida que segue! E logo chegou o sol da manhã, café quente, e um banho de rio, como fizera muito frio à noite a água estava convidativa, pois sua temperatura era superior ao vento que começara a soprar no começo da manhã, ótima oportunidade para nadar e aquecer o corpo.

img-20180326-wa0260-copyAcampamento desmontado, lixo recolhido e seguimos em direção a Serra do Sol, cerca de 11km a frente a roda traseira de Xterra começa a balançar, simplesmente todos os parafusos da roda caíram, um atrás do outro. Dumbo alertou e Biju parou parafusos encontrados e recolocados, susto ficou para trás e seguimos. Chegamos até a passagem de pedras na primeira curva do rio e a passagem estava complicada, uma pancada em uma pedra quebrou uma mola do meu feixe de molas traseiro, mas nada que impedisse o deslocamento. Além das pedras um grande atoleiro, onde Raul precisou de guincho para passar, e outros também atolaram como Biju e Júlio. Perdemos um bom tempo para passar por esse trajeto e depois que todos passaram seguimos em frente e menos de 600mts Biju avisa pelo rádio que deu algum problema na suspensão do carro dele, havia arriado a parte da frente, foi ai que pensei que a barra de torção havia quebrado, algo relativamente comum neste modelo de carro, e como Biju havia levado de reserva, menos problemático.

20180323_143649-copyEvandro foi verificar o problema e descobriu que uma pancada nas pedras dentro do atoleiro havia rasgado a base que segura à barra de torção, algo parecido com que passei em 2012 no meu carro. Começar a desmontar a suspensão, afinal andamos com o melhor mecânico do Norte e para ele era fácil resolver, só que tínhamos um problema, Evandro esquecera os eletrodos de solda em Boa Vista, quando fora fazer a revisão no carro de Biju. Agora era tentar ver como poderíamos resolver aquele problema, foi quando Júlio falou que tinha um eletrodo 6013 no meio de suas coisas de viagem, e enquanto foi procurar Evandro desmontou a peça, e como toda paciência do mundo foi aos poucos desempenando até chegar ao ponto certo. Como muita paciência e toque de habilidade a peça foi sendo moldada e após um tempo estava pronta para ser soldada. Juntamos três baterias e estava pronta nossa maquina de solda e com pericia Evandro foi soldando até ficar perfeita, tão firme quanto a original. Agora era remontar a suspensão e partir.

20180322_062329-copyDurante a remontagem da suspensão eu analisei o tempo que havíamos levado para percorrer aquela distância e mesmo sabendo que o retorno é sempre mais rápido, sábia que teria o trecho que passamos a pouco para retornar, atoleiros com pedras e a Pedreira. Comecei há computar esses tempos e analisar o que ainda tínhamos até chegar a Serra do Sol, a montanha em si, e o nosso tempo de retorno. Após procurar tentar encaixar o tempo restante a data de retorno, já que alguns dos participantes tinham voo marcado de volta e precisava entregar carro na transportadora o tempo passou a ser crucial, como a trilha estava inesperadamente lenta e havia vários obstáculos no retorno, descido reunir o grupo e informar a decisão de não seguir para Serra do Sol, e que caso resolva seguir só chegaríamos à noite e teríamos de partir de madrugada para retornar, como rodar a noite não fazia parte do que planejamos para essa expedição, o grupo concordou e começamos a retornar, objetivo era acampar novamente no Salto K.

20180321_152449-copyPerdemos muito tempo no atoleiro, mais do que na ida, quase todos se enroscaram, decisão acertada de retornar. Chegamos à Pedreira e antes mais um trecho com um atoleiro e fomos seguindo até chegar ao Salto K, com o Sol já se pondo, outro acampamento montado, mas apenas um jantar mais leve, o pessoal estava cansado, o dia foi pesado, o sol estava forte e a noite seria um bom descanso, apesar de ser difícil dormir admirando um céu tão fantástico. No caminho de volta nosso amigo Raul ofereceu um almoço juntamente com sua esposa Elvira, e paramos na beira de um igarapé e montamos a tenda para Elvira preparar um delicioso peixe ao limão Peruano, Ceviche, estava perfeito, acompanhamentos, e com o paladar satisfeito seguimos para o próximo acampamento onde Dumbo pilotaria mais uma vez a churrasqueira e todos dormindo cedo, já que o objetivo era sair logo no começo da manhã para poder seguir direto para Manaus.

20180321_160733-copySaímos da Venezuela, já com saudade da trilha de Serra do Sol e planejando o retorno em 2020, terminada a fase 2 da TAC 2018, agora é começar o retorno pela Fase 3. No caminho para Boa Vista a Hilux de Júlio deu problema de injeção, filtro estava muito sujo e danificou um bico, precisou ser puxado até Boa Vista para no dia seguinte trocar o bico. Demais seguiram para Manaus.

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