TAC PERU 2019

Começo

bandeira-do-peru-d_nq_np_176305-mlb20862018087_082016-fPassaram-se alguns anos que visitara o Peru pela estrada do Pacífico. Mas, existia um convite do grande amigo e participante da família TAC, Raul Torres, para que fosse fazer uma grande aventura pelas terras peruanas. Pois bem, a partir do convite aceito, fiz uma seleção restrita de participantes e um planejamento em conjunto com Raul.

img-20190310-wa0016 img-20190310-wa0091Como sempre, realizamos uma saída antecipada para encontrar o grupo na fazenda da família de MeiaFoda (Matheus) e mais uma vez houve uma grande farra, embora com poucos participantes. Mas infelizmente nem tudo era farra. Tivemos alguns problemas pré-TAC, entre eles um acidente entre o veículo de um casal participante do evento e uma carreta, próximo a Cuiabá. Felizmente não houve sequelas físicas, mas para o veículo foi perda total. Após o susto e a resolução dos trâmites referentes ao acidente o casal resolveu não estragar a aventura que viveria, comprou outro veículo em Cuiabá e seguiu rumo à TAC-Peru-2019. Foi uma correria entre tirar documentos e transferir as bagagens que estavam no veículo acidentado para novo. Claro que não foi possível instalar a tempo no veículo equipamentos como suspensão especial, guincho, snorkel, pneus e outros, mas, como o trecho é composto por um trajeto menos radical foi possível fazer a trilha sem estes equipamentos e com a ajuda dos amigos. Afinal, o importante era seguir a aventura.

img-20190312-wa0164Infelizmente os contratempos não ficaram somente neste acidente, outro veículo que iria participar da aventura não foi entregue a tempo pela transportadora, estava no meio do caminho e o tempo ficou curto para resgatá-lo e seguir rodando, uma vez que a Transportadora não informou o que estava acontecendo. Uma dor de cabeça descomunal e um prejuízo para o participante, porém ficou decidido pelo grupo que ele iria de qualquer jeito e como eu estava sem Zequinha no meu carro, então, no final deu tudo certo e tive Dumbo como meu companheiro de cabine.

img_20190313_175736781Todos unidos seguindo para a fronteira do Peru e começamos os trâmites de saída do Brasil, foi quando Meiafoda descobriu que havia perdido sua identidade no Banco em Rio Branco. Começou mais um contratempo psicológico, afinal somos mais do que companheiros de viagem, somos uma família e ninguém deveria ficar para trás. Passaporte vencido, RG perdido, correria, telefonemas e Meiafoda volta para Rio Branco na tentativa de achar o RG no banco e no meio tempo tentar fazer outro, já que um passaporte de emergência não seria possível. Liga pra lá, liga pra cá, amigo do amigo, colega de turma e no final Meia tornou-se cidadão Acreano com um RG novinho em folha. Nesse meio tempo seguimos para Puerto Maldonado onde aguardaríamos Meiafoda e Otair (o seu meio Zequinha).

img_20190312_181545402_hdrDiferente de alguns anos atrás, quando fiz esse trajeto e a estrada era de barro com muita lama, saímos de Iñapari (cidade fronteiriça do Peru com Brasil), às 10h00, sem pressa, pois aguardávamos Meiafoda, e chegamos em Puerto às 13h00. Lembro que na primeira vez que fiz esse trajeto foram quase 20 horas rodando.

Chegamos e fomos fazer o seguro, SOAT, dos veículos para poder circular no PERU. Seguro feito, hotel reservado, barzinho para reunir a turma até a chegada de Meia e Otair. E antes das 21h00 chegam os dois. A partir daí foi só comemoração e mais cerveja. Mas, já no dia seguinte, seguimos rumo a Cusco.

Adendos

Procedimentos e documentos para entrar de carro no PERUimg_20190314_093318045_hdr

– Documentos pessoais: para circular por terras peruanas é necessário portar apenas a Identidade RG ou passaporte válido. Nenhum outro documento é aceito. E, antes de seguir para os trâmites de entrada no Peru é necessário realizar o registro de saída no Brasil através da Polícia Federal. Para tanto, quem tem passaporte carimba o passaporte, quem for usar o RG recebe uma ficha. Mas, em todos os casos tem que lembrar que no retorno também é necessário dar entrada no sistema da PF que você retornou. O RG deve ser 100% legível e a foto tem que ser a mais atual possível, porém, não é preciso que tenha 10 anos de emitida ou renovada, mas é preciso que esteja sem rasuras e a foto parecida.

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Puerto Maldonado – Cusco

img_20190315_161727148 Saímos ás 09h00 do hotel, fomos abastecer os veículos e seguimos pela carretera do Pacifico em direção a Cusco. Estrada muito boa, conservada e pedagiada (6,60 solos), embora o limite de velocidade seja baixo, e raramente se via alguém andando a mais de 90 km/h, tentamos manter uma média de 75 km/h, velocidade suficiente para curtir a paisagem e chegarmos em segurança ao nosso destino. Com muitos quebra-molas (lombadas) e diversas vilas ao longo da estrada, essa passagem se torna um pouco mais lenta que o habitual. Mas, na nossa jornada a subida foi numérica e sensível em relação à altitude de foi de 200 metros para quase 5.000 metros em poucas horas.

img_20190315_171730548_hdrAssim que iniciamos as subidas e descidas dos vales a paisagem mudou, deixando a viagem cada vez mais proveitosa visualmente. Vales belíssimos e subidas vertiginosas mantiveram nossos olhos ocupados. Devido as fortes chuvas registradas nas últimas semanas, vários trechos da rodovia estavam interditados para retirada das pedras e entulhos. E, nestes momentos de aguardo para liberação das pistas a turma aproveitava para dar aquela esticada nas pernas, embora o calor ainda fosse absurdo.

img-20190315-wa0123Após os 1.800 metros de altitude os ares-condicionados dos veículos foram desligados e uma brisa fria passou a nos acompanhar durante a subida e cada vez mais alto, mais e mais belas eram as paisagens. Após os 3.000 metros os veículos começaram a sentir um pouco a redução de oxigênio na mistura, embora a turma só começasse a sentir mesmo após os 3.500 metros. A maioria estava à base de folha de coca desde começo da subida, o que ajuda.

img-20190315-wa0124Passamos dos 3.500 metros e agora eram os aquecedores dos veículos que davam conforto. Aos 4.725 metros de altitude uma parada em uma pequena vila para almoçar trutas fritas com batatas de altitude e queijo de Lhama. Todos sentiram a dificuldade da diminuição do oxigênio no sangue, além do frio, estava na casa de zero grau, fora a sensação térmica do vento. Caminhar era ruim e o frio maltratava.

img-20190316-wa0093Todos alimentados, começamos a descida até Cusco, 3.400 metros de altitude, mas antes alguns vales e o movimento de veículos aumentando nos vilarejos. Faltava 81 km atéimg-20190316-wa0075 nosso destino. Anoiteceu e víamos as luzes das vilas nos vales e ao longe as luzes de Cusco. A turma estava cansada, até porque todos, exceto eu, nunca haviam enfrentado a subida dos Andes. Pernoite em Cusco. Manhã de passeio pelo centro antigo antes do começo da tarde seguir para Nasca, nosso objetivo. Afinal é uma expedição offroad pelos lugares extremos do Peru e não um passeio turístico a este belíssimo país.

Adendos

img-20190315-wa0145Embora a população da região esteja acostumada com a estrada, não se vê excesso de velocidade, consequentemente um único acidente durante todo o trajeto, sendo assim, evite correr, aproveite a paisagem, se você não tem muita paciência com deslocamento lento, sugiro ir de avião.

Não deixe de parar na vila no ponto mais alto dessa travessia, 4.725 metros, e comer uma truta frita com batatas de altitude e queijo, vale a pena o frio e a falta de oxigênio.

Cusco – Nasca

img-20190317-wa0087 Partimos de Cusco com o objetivo de rodar 200km ate a cidade de Abancay, onde pernoitaríamos, para no dia seguinte rodar o trajeto ate Nasca e encontrarmos com Raul e o restante do grupo. Trajeto muito tranqüilo com muitas subidas e descidas em uma região de belíssimas pequenas vilas nas montanhas, que vivem da produção agrícola e pecuária. Chegamos ao hotel de turismo onde reunimos a turma mais uma vez para beber e comemorar a expedição. Aliás, se bebe todos os dias, então é só preparar bem o fígado e sua glicemia. Saímos cedo e novamente apreciamos paisagens fantásticas das montanhas ate chegarmos a 4.500 metros de altitude e rodarmos por mais de 100km nessa altitude, o que castigou bastante o grupo devido a falta de oxigênio, praticamente todos sofreram.

img-20190317-wa0105Começamos a descer e de longe víamos a aridez do deserto de Nasca e uma paisagem que lembra o solo marciano. Para quem não conhecia a região sentia como se estivesse realmente em outro mundo, uma aridez sem igual e, ao fundo, a Grande Duna, nosso objetivo offroad naquela região.

img_20190317_191348314Chegamos ao Hotel onde encontraríamos Raul e Elvira (responsáveis pelo convite da TAC ao PERU), Alex da Colômbia, Bruno e Vivi da Argentina, Daniel e Victor (Apoio da Organização) do Peru, nosso Guia Ciro, da DoubleTracion, e nosso fotografo José Carlos. Todos se organizaram e às 21h00 fizemos o briefing dos próximos dias. Partida às 08h00 para seguirmos em direção a Grande Duna, com um acampamento no meio do trajeto.

img_20190318_100900175 img_20190318_100905775 img_20190318_100921591 img_20190318_100950847 img_20190318_122051716 img_20190318_122136964 img_20190318_122224084_burst001 img_20190318_122350084 img_20190318_123341081

Após o café (Desayuno), seguimos para abastecer os veículos e rodamos alguns quilômetros de asfalto até o ponto de acesso ao parque das dunas. Parada para baixar a pressão dos pneus, oito libras na frente e seis libras nos pneus traseiros. Iniciamos as brincadeiras, algumas atoladas no grupo, resgates e muita adrenalina, aliás, bastante adrenalina, pois até quem estava acostumado com as dunas no Brasil sentia a dimensão das Dunas no Peru. Em certo momento, cerca de meio dia, cai com meu carro em um buraco ao fazer um traçado diferente para não parar a subida, já que havia veículo parado e, neste momento, quebrou a castanha da cruzeta da transmissão dianteira (peça que pega a cruzeta e transmite a força do motor para o diferencial dianteiro), retiramos a Hilux com o guincho do buraco e a deixamos nas dunas, o grupo seguiu com os demais do apoio e Raul em direção ao acampamento base, e retornei a Nasca com Ciro, nosso guia, para tentar comprar a peça da transmissão.

Uma verdadeira via crucis.

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No Peru tem bastante Toyota Hilux e, principalmente nesta região, devido à mineração de cobre, o que me levou a pensar que seria fácil conseguir a peça, porém, ledo engano! Viramos a cidade de cabeça pra baixo, eu Ciro e um amigo dele, que mora na cidade e que nos ajudou. Após desistirmos de encontrar a peça, o que exigiria o resgate da Hilux e somente em LIMA se conseguiria a peça na autorizada. Mas o amigo de Ciro não desistiu, fomos a um torneiro mecânico, que presta serviços pesados e de qualidade para empresas de mineração e, para nossa alegria, ele disse que conseguiria fazer uma gambiarra forte o suficiente para continuar a expedição pelas Dunas. Serviço realizado e criou-se uma nova casa para a cruzeta e a solda em ferro fundido com eletrodo especial parecia que iria realmente aguentar.

54800042_2088110811237796_6656536895993937920_nPeça quase nova nas mãos, seguimos eu e Ciro, à noite para encontrar a Rachadinha, montar a transmissão dianteira e subir o restante das dunas em direção ao acampamento base. Chegamos ás 22h00 onde havíamos deixado a Hilux, passamos um rádio para o acampamento durante o deslocamento para encontrar a Rachadinha, e vieram Raul, Elvira, Daniel e Vitor, além de Baiano de carona para me ajudar a montar a transmissão. Foi dificultoso, mas depois de 1 hora conseguimos montar, a expectativa que a peça aguentasse era enorme e o medo de que não aguentasse maior ainda. img_20190318_124653745Partimos para o acampamento, motor cheio e tensão ao máximo, chegamos quase meia noite, bebi umas 10 cervejas e, literalmente, me forçaram a comer o jantar, já que estava estressado e sem vontade alguma, mas, fui relaxando e sabendo das façanhas do grupo enquanto estivera fora. Muitas atoladas, voadas e a Triton de Douglas e Silvia estava um pouco avariada com o protetor do motor amassado e o radiador empenado, além dos parachoques. Os demais trouxeram histórias de atoladas e bagunças do grupo.

img_20190319_062733700 img_20190319_070709452_hdr

img_20190319_075903179Noite fria, um céu fantasticamente lindo, pensamentos sobre o dia e uma lua cheia que não me deixaram dormir. Apreciei o frio na rede e um lindo dia amanheceu, ótima oportunidade para fotos do acampamento e do nascer do Sol. Café da manhã sendo preparado pelo Vitor, cozinheiro oficial do grupo, e fomos olhar os veículos. A Hilux de Marcão estava com um guia da correia com rolamento estourado e desalinhara a correia cortando-a pela metade, felizmente havia correia de reserva, mas não adiantaria apenas trocar, pois a mesma iria se desmanchar, sendo assim, Marcão e sua Zequinha Mônica, resolveram retornar para Nasca e solucionar o problema, assim como Douglas e Silvia que ficaram receosos com o radiador empenado após uma aterrissagem não tão bem sucedida nas dunas. Nosso guia os levou até o asfalto, neste meio tempo aguardamos Ciro retornar comendo mais um pouco e subindo uma duna que nos permitia ter sinal de celular. E, por falar em celular, o ideal é comprar um chip da Claro, que é a melhor empresa de telefonia do Peru e pega em todos os lugares, com 20 soles você tem whatsapp livre por 30 dias e 500Mb de internet.

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img-20190319-wa0161Ciro retornou e partimos em direção a Duna Grande, maior duna do mundo, com mais de 1.600 metros de altura, no GPS marcou 1680 metros. Foram momentos fantásticos de offroad até conseguirmos finalmente chegar ao topo da Grande Duna, todos felizes, fotos oficiais, champanhe para comemorar e agora era descer 1.000 metros de uma só vez, em primeira reduzida e controlando o veículo para não sair de traseira e nem pisar no freio, se não iria capotar por mais de 1.000 metros. Muita adrenalina e todos superaram essa última parte. Paramos em um rio e montamos acampamento para fazermos o almoço. Otair, Dumbo e Gal tomaram a frente da cozinha e cozinharam para nossos amigos Peruanos, Argentinos e Colombianos. Mais comemorações, cervejas, comidas e muitas conversas sobre o feito da Grande Duna. À noite estávamos de volta ao Hotel em Nasça para arrumar as coisas porque no dia seguinte sairíamos para as Dunas de ICA onde acamparíamos na beira mar do Pacífico.

Nasca – ICA

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img-20190324-wa0111Saímos ás 09h00 para abastecer os veículos e pegamos um deslocamento de 150 km até ICA, onde reabastecemos os veículos, fizemos compras em um supermercado e seguimos para as dunas de ICA. Nosso primeiro obstáculo foi entrar no parque das dunas de ICA porque há algumas semanas alguns turistas morreram em um acidente com os veículos offroad que levam turistas as dunas baixas para passear e o trânsito nas dunas estava proibido, por isso tivemos que dar uma grande volta e subir uma duna muito longa e alta, fazendo o Jimny de Meia superaquecer e jogar fora água do radiador, além do Jimny, outros carros subiram a temperatura, mas baixaram ao normal enquanto cuidávamos do Jimny.

img-20190327-wa0165Seguimos para as dunas, cada uma mais violenta que a outra com descidas absurdas e subidas kamikazes. Acelerava-se forte e rezava-se cada para chegar ao topo. A aventura estava ficando mais emocionante provocando ao mesmo tempo prazer e medo. Nossos amigos do Peru estavam com veículos super preparados para as Dunas, com motores potentes, mas nossos veículos acompanhavam em todos os trajetos. Foi uma tarde inteira de pura adrenalina.

Em determinado momento o grupo se dividiu, nosso guia Ciro nos levou por uma estrada de pedras e a outra turma  seguiu pelas dunas, pois queríamos ver o pôr do Sol no pacifico e se fôssemos pelas dunas talvez não conseguíssemos chegar a tempo.

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Alguns quilômetros em uma estrada de terra cheia de ondulações e pedras, andando rápido e chegamos a Praia na Reserva Nacional de Paracas, com uma visão maravilhosa de uma Ilha logo à frente, um mar de um azul escuro com ondas grandes e o Sol começando a baixar em direção do horizonte. Uma visão belíssima do fim de um dia perfeito. Muitas fotos e iniciou-se o espetáculo do pôr do Sol. Cada minuto mais perto de sumir no horizonte, o Sol proporcionava uma visão encantadora e quase ao mesmo tempo uma Lua cheia começava a surgir no horizonte oposto, quase se olharam. O céu não se escureceu, era uma luz se apagando e outra acendendo, um espetáculo calculado, já que programara essa data para coincidir com a Lua Cheia e deixar nossos acampamentos mais belos.

img_20190320_223720793Saímos do local onde apreciamos o fim do dia e seguimos em direção ao ponto de acampamento, onde provavelmente a outra parte do grupo já estaria, uma praia a alguns quilômetros, que foram percorridos na beira mar e depois, a noite, subir e descer dunas até chegar. Fizemos uma volta por uma enseada longa em direção ao grupo e ao iniciarmos a descida de uma duna vimos às luzes do grupo na beira mar comemorando a chegada e nos juntamos. Mais brindes e fomos montar nosso acampamento. Uma roda de carros voltados para o centro, onde fizemos uma fogueira e preparamos um jantar sob os cuidados de Otair (Tata), Dumbo (Renilton) e Gal. Porco na lata, preparado por Tata em sua fazenda e contrabandeado do Brasil, passando pelos pontos de fiscalização sem ser encontrado. Noite longa de ótimas conversas e a fogueira foi se apagando e o pessoal se recolhendo em suas barracas. Esta noite tivemos a companhia de uma dócil raposa que ficou rondando o acampamento e maravilhando o grupo.

img_20190321_055715411Uma noite gelada na beira do pacifico, ao som das ondas e a umidade da neblina que nunca some. O dia amanheceu e novamente antes do Sol conseguir se levantar no horizonte a Lua afundava no oceano pacifico quase como uma poesia entre duas paixões que nunca poderão estar juntas. Nós, os corajosos, banhamos no mar gelado, não muito, pois a correnteza era forte e as ondas grandes. Enquanto isso, outros preparavam o café, entre eles Baiano que fez um Cuscuz delicioso, para os Peruanos era uma novidade e claro o Vitor fazendo uma carne assada deliciosa para nosso desayuno. Acampamento recolhido e às 09h00 estávamos novamente nas dunas com destino a Lima. Foram cerca de 150km de dunas e areias e mais 230 km de estrada asfaltada até a casa de campo de nosso amigo e organizador de nosso roteiro no Peru, Raul Torres.

img_20190320_191557255Uma recepção fantástica em sua casa de campo e, após o grupo estar com seus respectivos quartos preparados, nos reunimos para apreciar um maravilhoso jantar e jogar mais conversa fora em uma mistura de espanhol, português, portunhol e mais alguns dialetos. Na manhã seguinte, todos acordados para o desayuno e antes de sairmos dos quartos um pequeno tremor de terra, nada demais para quem vive na região, mas algo novo para muitos. Café tomado! Agora, uma Van nos esperava para irmos a Lima passear, almoçar, fazer compras e no dia seguinte partir para a segunda etapa da expedição. Estava assim finalizada e primeira etapa da TAC PERU 2019 – Dunas e Arenas.

Adendo

img_20190321_201449135No Peru os carros não param na faixa de pedestres, então cuidado! E se estiver de carro não adianta parar para dar vez ao pedestre, eles não passarão enquanto tiver veículo próximo, mesmo parado.

Os Peruanos dirigem muito bem, mas são afoitos no trânsito, cortam pela direita, nunca saem da faixa de velocidade e se der bobeira jogam você pra fora da pista.

Lima possui 1/3 da população do País, ou seja, 11 milhões de pessoas moram na grande Lima, então se preparem para passar horas em engarrafamentos.

E não deixe de ir em bons restaurantes, o tempero é muito bom e os preços razoáveis.

SELVA AMAZÔNICA PERUANA

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img-20190323-wa0054Partimos ás 5h00 da manhã da casa de Raul, precisávamos cruzar uma parte da cidade antes que o trânsito começasse a piorar, para tanto, às 06h00 já estávamos fora da cidade em uma belíssima estrada que nos leva novamente a subir os Andes. Em pouco tempo estávamos a mais de 4.800 metros de altitude e uma temperatura negativa com bastante neve no caminho.

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É impressionante essa diversidade que o Peru nos oferece, não só acerca da história de seus ancestrais, mas, principalmente, essa diversidade geográfica de extremos, calor, frio, deserto, selva. Em pouco tempo saímos da umidade fria do pacifico para o frio extremo na neve e alguns quilômetros depois estávamos descendo para 400 metros de altitude em um calor infernal no meio da Selva Amazônica, sem falar que em poucos quilômetros mais a frente tivemos que enfrentar o frio a 1.200 metros de altitude em trilhas extremas no meio da floresta amazônica de altitude. Imagine fazer offroad na lama no meio de uma selva, só que a mais de 1.000 metros de altitude andando na beirada de um barranco escorregadio com mais de 500 metros de altura em queda livre… pois é… bem vindo ao Peru OffRoad!

img-20190323-wa0180Dormimos na cidade de Mazamari, onde fomos recepcionados pela autoridade maior (prefeito), com uma bela recepção que incluía danças típicas da região, um jantar maravilhoso com a culinária regional e uma fogueira com muitas danças e musicas. Foi realmente uma grande recepção e nos deixou maravilhados com a riqueza da região. Fomos dormir agradecidos com uma noite tão fantástica. No dia seguinte seriam 280 km de estradas cheias de buracos e barrancos caindo, me lembrou a primeira vez que subi os Andes, quando a Carretera do Pacifico ainda não era asfaltada. Apesar de ser toda piçarrada a estrada era perigosa pelos deslizamentos e trechos estreitos, porém a beleza da Selva Amazônica de altitude trazia alento de ante do perigo. img-20190323-wa0182No meio do dia chegamos a uma trilha na floresta, fechada e cheia de lama, nos economizaria 30 km, até porque nosso trajeto havia modificado, chovia forte na região e um rio estava três metros acima do seu normal e não pudemos passar pela ponte submersa. Logo no começo da trilha uma arvore caída, e ninguém havia levado motosserra. Ninguém virgula! Eu levei, aliás, não ando nessas expedições de selvas e matas sem minha motosserra, assim sendo o trajeto estava salvo, pois a disposição da arvore impedia que se pudesse transpor sem cortar. Comemoração, motosserra na mão e Baiano fez as honras e cortou a arvore. Seguimos em frente até que o pneu da Hilux do Bruno (Argentino como ficou conhecido), destalonou. Com ajuda de Baiano tudo se resolveu rápido, até mais alguns quilômetros e destalonou outro pneu, dessa vez pegamos o estepe da Hilux de Marcão e fizemos a troca, até que lá pelas tantas da noite chegamos a um sitio onde faríamos o acampamento.

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img-20190327-wa0123São Pedro colaborou, todos montaram as barracas e fizemos o jantar, céu limpo e ai fizeram a pergunta, será que chove? Marcão e Ciro bateram o pé que não choveria, eu já tinha certeza que sim, tanto que nem abri a rede, montei minha barraca, inflei os colchões e fui deitar. Minutos depois de todos estarem deitados despencou a maior chuva, que se perpetuou até o dia amanhecer, inclusive cortou meu sono, pois Dumbo, que estava na rede foi dormir comigo na barraca. Complicado dois machos num mesmo colchão, deixei Dumbo na barraca e fui tirar um cochilo no carro, mas já com o dia amanhecendo. Novamente turma do café aos seus postos e Tata, Meia e Gal assumiram as panelas, e claro o restante colaborando com outros produtos para nosso café da manhã. O Sol apareceu, ajudou há secar um pouco as barracas e podemos desmontar o acampamento. Tudo arrumado e tínhamos cerca de 300 km pela frente e uma balsa que atravessaria um rio com correnteza muito forte e longo. Foram quase duas horas para atravessar todos os carros, iam dois por vez.

img-20190326-wa0250Agora do outro lado e uma estrada melhor, pé no porão em direção à cidade que pernoitaríamos para seguir no dia seguinte em direção à Estrada da Morte ou Estrada Proibida. É importante salientar que todo o nosso trajeto é totalmente anti-turístico, ou pelo menos não tem nada a ver com o turismo comum, buscamos aventura offroad e são esses caminhos que nos apaixonam. Andar na Estrada da Morte Peruana foi uma dessas aventuras fora do roteiro normal, pois além de perigosa é proibida para muitos devido ao trafico de cocaína na região cocaleira e existe um toque de recolher na região, a estrada é fechada a noite pelo exercito, que também a controla, tanto que foi um espanto para o grupamento que fazia o controle de passagem no alto da estrada, 2.100 metros de altitude em um local com neblina constante, documentos de todos foi verificado e deixaram o grupo passar para entrar no próximo vale.

img-20190326-wa0232A Estrada Proibida é perigosa de andar, principalmente pelos deslizamentos constantes na época de chuva e penhascos por onde as rodas passam beirando, mas vale todos os quilômetros andados, é de uma beleza impar, seja pelo visual, seja pelas dezenas de cachoeiras que cortam a estrada e você passa com o carro por debaixo delas. E perto do cume um nevoeiro espesso que impede de ver 10 metros à frente. Subir e descer sempre em constante atenção. Cerca de 24 horas após passarmos nesse trecho uma forte chuva deixou 14 pontos de deslizamento e ruptura da estrada, vários vilarejos isolados e por pouco não estaríamos presos na região por vários dias, ou pior, sidos pego de surpresa pelas chuvas durante o trajeto, que poderia provocar um acidente fatal. Porém foi mais um dia de belíssimas paisagens e trechos incríveis até a cidade de Quillabamba, aonde chegamos à noite em um pitoresco hotel. Era nossa despedida, estava terminando a TAC PERU 2019.

img-20190324-wa0194 Todos aos seus quartos tomar banho e se arrumar para nosso ultimo jantar em grupo. O jantar estava maravilhoso, preparado pela dona do Hotel, uma simpática senhora de uns sessenta e poucos anos, algumas taças de vinhos e cerveja preta e aos poucos fomos indo pra cama devido ao cansaço dos últimos dias. No café da manha todos reunidos, muitas palavras de despedidas, todos falaram, deram suas declarações e no final tínhamos mais uma nova família TAC. Novos membros, novas amizades e principalmente novas histórias para contar. img-20190327-wa0243Abraços em geral, Tatá e Alex me abraçaram e terminamos os três no chão em uma queda em câmera lenta, muitas risadas, joelho doendo e um sentimento de tristeza pelo fim dessa aventura. Partimos em direção a Ollantaytambo, onde o grupo se dividiria e cada um tomaria seu rumo. Meia e Baiano ficariam para conhecer Machu Picchu, o pessoal do Peru e Alex da Colômbia, voltariam para Lima via Nasca, Eu, Dumbo, Marcon, Mônica, Douglas, Silvia e o Casal da Argentina (Bruno e Vivi), iriamos para Cusco pernoitar e no dia seguinte seguiríamos de volta para o Brasil, os Argentinos para Argentina via Bolívia. Estava assim finalizada a TAC PERU 2019, agora a caminho de Humaitá, onde encontrarei, juntamente com Marcão, o grupo de 10 veículos para fazer a TAC Amazônia 2019.

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Considerações e Agradecimentos

Costumo dizer que a primeira vez em qualquer aventura é sempre a mais problemática e também a mais incrível e inesquecível devido as surpresas que aparecem, embora cada aventura será diferente da anterior. O que quero dizer é que essa TAC PERU 2019 será inesquecível e somente quem teve a oportunidade de estar aqui sabe o que estou falando. Outras virão cada uma com sua particularidade, mas a primeira sempre será a que irá marcar.

Momentos de tensão, de belezas inesquecíveis, de adrenalina inebriante e de grandes amizades. Esses são os fatos marcantes da TAC PERU 2019, simplesmente inesquecível em todos os aspectos. Um País belíssimo e de cultura belíssima, de uma diversidade geográfica fantástica e tão completa que ainda precisa ser visitado dezenas de vezes e mesmo assim não se conseguirá ver todas as belezas que este País pode oferecer. Todos saíram do Peru com outra visão e principalmente nós que fugimos do Peru turístico, fizemos Nossos Caminhos de aventuras por um Peru menos conhecido e fomos felizes com tudo o que descobrimos e vivenciamos. Venha conhecer um Peru além de Machu Picchu, Cusco ou Nasca, existe muito mais do que se pode imaginar, principalmente para os amantes do offroad.

Tudo isso foi possível devido ao nosso amigo Raul Torres e sua Esposa Elvira, que não só me convidou e passou esse convite a quem eu quisesse levar a sua casa, mas também nos proporcionaram um roteiro fantástico por lugares surpreendentes e com uma alegria contagiante. Fomos recebidos em sua casa como se fossemos da família. Não existem palavras que meçam o agradecimento de todos a este casal especial de pessoas iluminadas. Gostaria de agradecer a toda equipe de apoio: Daniel, sua esposa Cláudia, Alex da Colômbia (que veio a passeio e se tornou um apoio com sua prestabilidade ímpar), o grande cozinheiro Victor e ao nosso grande guia Ciro da DubleTracion, empresa especializada em expedições offroad e claro ao José Carlos, nosso fotografo oficial e que produziu belíssimas fotos. Simbora… tem lama pela frente!

Sérgio Holanda

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